
Formação: Economia na USP e mestrado em Finanças na Tsinghua University, na China
Como a Associação Gelson Iezzi(CDT) impactou a sua vida?
Meu nome é Camila, tenho 28 anos e atualmente trabalho no Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS) como consultora. Sou formada em Economia pela USP e fiz meu mestrado em Finanças na Tsinghua University, na China.
Fiz parte do CDT entre 2010 e 2012, período em que tive a oportunidade de estudar inglês no Centro Britânico e fazer cursinho pré-vestibulinho no Colégio Rumo, ambos custeados pelo programa. Foi graças a esse apoio que consegui ingressar na Etec Martin Luther King, um passo fundamental na minha trajetória.
Sou filha de imigrantes chineses. Meus pais chegaram ao Brasil nos anos 90 em busca de uma vida melhor, mas enfrentaram muitas dificuldades por não falarem o português e não terem concluído os estudos. Trabalharam como camelôs por mais de 10 anos, vendendo de porta em porta.
Nasci em São Paulo, e lembro que nos primeiros anos da minha infância, minha família dividia um pequeno apartamento com outras famílias. Foir somente em 2008, depois de quase 15 anos de muito trabalho árduo, é meus pais conseguiram comprar um imóvel no Brás, onde cresci e passei grande parte da minha adolescência. Durante as férias escolares, eu trabalhava no comércio da família e também ajudava outros membros da comunidade chinesa como intérprete, apoiando em diferentes situações do dia a dia.
Sempre soube que a educação era o único caminho para abrir novas portas. Por isso, dedicava o pouco tempo que tinha aos estudos, especialmente porque, muitas vezes, o ensino nas escolas públicas não era suficiente para nos preparar como gostaríamos.
No terceiro ano do ensino médio, fiz cursinho noturno no Anglo Tatuapé. Mesmo estudando em uma escola considerada acima da média entre as públicas, ainda sentia muitas lacunas na minha formação. Consegui uma bolsa parcial no cursinho e, dessa vez, contei com o apoio dos meus pais.
Depois de um ano intenso, estudando todos os finais de semana e chegando em casa quase meia-noite durante a semana, fui aprovada na primeira chamada da USP. Fui a única da minha sala a conseguir essa conquista, numa época em que ainda não havia cotas para alunos de escola pública, apenas bônus na nota da Fuvest.
No penúltimo ano da graduação, tive a curiosidade de me reconectar com meu país de origem e busquei oportunidades de intercâmbio. Passei seis meses em Pequim e a experiência foi tão transformadora que decidi voltar para cursar o mestrado. Aliás, a China oferece, todos os anos, bolsas integrais para graduação e pós-graduação, com acomodação e auxílio alimentação, por meio de programas vinculados à embaixada, uma oportunidade que pode mudar a vida de muitas pessoas.
Todo esse caminho me levou a uma instituição que eu jamais imaginei fazer parte: um banco multilateral de desenvolvimento que financia projetos de infraestrutura com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das populações dos países do BRICS.
E nada disso teria sido possível sem o apoio da minha família, dos meus amigos e, especialmente, do CDT. O CDT não apenas me deu acesso a oportunidades, mas também me mostrou que a educação é o caminho mais sólido para transformar nossas vidas, e que, quando nos apoiamos uns aos outros, conseguimos construir algo muito maior do que individualmente.
Agradeço, do fundo do meu coração, por ter tido a sorte de encontrar o professor Gelson, a dona Lucy, a dona Inês e toda a equipe do CDT ao longo dessa jornada. O que vocês oferecem vai muito além de apoio financeiro. Vocês acreditam, acolhem e plantam, com muito amor, sementes que transformam vidas. E eu sou prova disso. Tenho certeza de que essas sementes continuarão florescendo e mudarão a vida de muitos outros alunos, assim como um dia mudou a minha. Carrego comigo para sempre os valores que aprendi no CDT, especialmente a bondade e o amor.
Aos alunos, espero que aproveitem ao máximo todas as oportunidades. Fico à disposição para quaisquer dúvidas ou mesmo para uma conversa.
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